Semeie o futuro, cultive o presente

capim

Os projetos de restauração ecológica enfrentam inúmeros desafios. Áreas degradadas geralmente são dominadas por espécies exóticas e invasoras, especialmente capins e leucena, além de apresentarem infestação de formigas cortadeiras, solo compactado e baixa fertilidade. Soma-se a isso o elevado risco de incêndios durante o período seco, devido ao acúmulo de biomassa seca dessas gramíneas.

Diante desse cenário, as atividades de manutenção nos primeiros anos após o plantio são essenciais para garantir o desenvolvimento das mudas até que se tornem árvores autossuficientes. Entre essas atividades, destaca-se o coroamento das mudas, que consiste na remoção manual, com o uso de ferramentas como enxadas e picaretas, das raízes de capim colonião, braquiária, leucena e outras espécies invasoras em um raio mínimo de 1 metro ao redor de cada muda. Essa prática reduz a competição por água e nutrientes, favorecendo o crescimento das espécies plantadas.

Durante o período seco, em parceria com a FPMZB, são realizadas ações intensivas para minimizar os riscos de incêndios nas áreas restauradas. A principal estratégia envolve a roçada do capim antes do fim da estação chuvosa, seguida do rastelamento da palha em toda a área. Essa medida reduz significativamente o volume de material seco disponível, diminuindo o potencial de propagação do fogo em caso de ignição.

Nas áreas restauradas, após alguns anos de manejo e cuidados, já é possível observar um aumento significativo na presença de aves, evidenciando a importância da criação de áreas verdes como refúgio para a fauna silvestre. Algumas das espécies plantadas — como pitangueiras, araçás, aroeiras-pimenteiras, ingazeiros e embaúbas — já iniciaram a produção de frutos, contribuindo diretamente para a alimentação e a atração de novas espécies animais.

Em quatro parques onde atuamos, foram identificados pontos que anteriormente abrigavam nascentes de água e que, atualmente, encontram-se secos. Acreditamos que esses ambientes poderão ser gradualmente recuperados à medida que a cobertura vegetal se restabeleça e o entorno seja novamente ocupado por árvores.

Compreendemos que o envolvimento das comunidades locais é fundamental, pois promove um forte senso de pertencimento entre os moradores. Uma comunidade engajada tende a atuar de forma mais efetiva na proteção, conservação e preservação dessas áreas verdes, passando a reconhecê-las como uma extensão de seu próprio espaço de vida.

Nosso objetivo é que essas florestas urbanas contribuam para a construção de um meio ambiente mais equilibrado, ao mesmo tempo em que ofereçam espaços de convivência e lazer para as famílias da região.